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Padrão de Beleza na Moda: uma reflexão necessária.

Escrito por EMIGÊ .it

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Postado em 13 outubro 2020

Você está satisfeita com o seu corpo? Se a resposta é não, lembre-se: você não está sozinha. E o padrão de beleza da indústria da moda pode ter uma relação direta com essa sensação de infelicidade. 

Como já falamos no texto Moda Circular: como chegamos até aqui", a moda tende a refletir os comportamentos de uma sociedade. Mas hoje, ela vai além disso. A moda é, acima de tudo, uma indústria preocupada com a produção e venda de grandes quantidades de produtos têxteis. 

E, para isso, antes de vender roupas, a moda precisa vender desejos. Desfiles, campanhas e, mais recentemente, as mídias sociais, são utilizadas para isso. Para vender sonhos.

Mesmo que sem as luzes, sem a maquiagem e sem o photoshop as próprias modelos e influencers dificilmente consigam alcançar o tal padrão de beleza ditado pela moda, ele é vendido e desejado em todos os continentes. É posto como regra e como sinônimo de sucesso.

É desta forma que a moda nos convence a comprar peças e mais peças muitas vezes sem necessidade: para nos tornarmos algo que não somos e dificilmente poderemos ser. Mesmo quando isso significa nos encaixarmos em padrões que nem sempre nos deixam felizes. 

Seja com espartilhos para afinar a cintura, com os antigos vestidos de anquinhas para dar mais volume ao quadril ou com as calças jeans para levantar o bumbum, as peças procuram atender expectativas muitas vezes irreais.

Ela só veste bem porque é magra!

Você já deve ter escutado a frase acima. Então quer dizer que para ser uma pessoa bem vestida, é preciso ser magra? 

Encontrar peças sofisticadas, em um tamanho maior, é uma tarefa que pode ser bastante difícil. Além da quantidade limitada, os cortes padronizados para tamanhos menores  ignoram os inúmeros e diferentes tipos e formatos de corpos. Muito menos, levam em consideração a cultura, os diferentes tons de pele, o sentir-se bem com o próprio corpo. 

É como se as pessoas fora de um "padrão" (que padrão mesmo, hein?), não tivessem o direito de ter o próprio estilo, de serem representadas ou de se sentirem bem com a própria imagem. Para a indústria convencional, são as pessoas que devem se adaptar às roupas, e não o contrário.

Plus Size e o Tamanho 40

O padrão de beleza corporal imposto pela indústria da moda é tão difundido que causa espanto quando uma grife ousa desafiá-lo. E esse foi o caso do mais recente desfile da Versace, na Semana de Moda de Milão.

Apesar da importância que tem, e mesmo que vez ou outra as semanas de moda apresentam algum desfile que tenta ser mais inclusivo, elas nunca foram reconhecidas pela diversidade nas passarelas. 

Tanto que bastou a Versace levar 3 modelos "plus size" (há controvérsias como você lerá abaixo) para que o fato fosse visto como "inédito" na grife, já que a marca sempre fez sua fama com as bombshells em vestidos colantes.

Entre as modelos do desfile, estavam a holandesa Jilla Kortlove e as americanas Alva Claire e Precious Lee. As três com corpos muito mais próximos da realidade da maioria das mulheres do que as modelos tradicionais.


A iniciativa da Versace foi considerada histórica por algumas publicações especializadas. Contudo, chama atenção a repercussão que a modelo Jilla Kortlove teve na imprensa. 

Jilla, que veste manequim 40, foi considerada modelo Plus Size em vários artigos. Vale ressaltar que a mesma modelo também desfilou para a Chanel na última terça-feira, data que encerrou a Paris Fashion Week. Mas, dessa vez, sem o tipo de comentários feitos em ocasião do desfile da Versace, em Milão.

Em tempo: o termo Plus Size (tamanho grande), é utilizado para designar roupas feitas para pessoas que excedem a uma determinada média. E isso varia de país para país. No Brasil e na França, por exemplo, o tamanho médio para as mulheres é 42. 

Um desfile a passos lentos

Um levantamento realizado pelo The Fashionspot, site que publica relatórios sobre diversidade do setor da moda desde 2014, é revelador. Nele, é possível ver como essa indústria ainda trata de forma tímida e lenta assuntos tão relevantes como representatividade e inclusão. 

Para a temporada primavera-verão de 2020, os pesquisadores contaram um número de 86 modelos Plus Size (tamanho grande) nas passarelas dos grandes desfiles de moda. Em 2019, na temporada de outono-inverno, eram apenas 50.

E isso dentro de um número total aproximadamente de 2.200 modelos que desfilam a cada temporada.

Quando se fala de padrão de beleza, não podemos limitar apenas ao tamanho e peso da pessoa. Outras minorias também devem ser representadas como as modelos trans e as modelos negras. Embora as negras tenham mais visibilidade e existem grandes nomes consagrados, elas ainda sofrem preconceito na sua luta por espaço. 

E o que dizer das modelos trans? Onde está a representatividade? Discutir a questão da representatividade é tão necessário quanto dar voz a essas pessoas. Lançado há cerca de 2 meses no Brasil, o reality show Born to Fashion provoca o diálogo entre moda e identidade, chamando atenção para a luta dessas mulheres em busca de um lugar ao sol no mercado da moda. O programas, exibido às quintas-feiras no canal E!, deve ter sua relevância reconhecida quando abre espaço para modelos transgênero no mercado da moda. 

Fotos e Filtros 

As mídias sociais tornaram-se grandes vitrines para padrões de beleza e estilo de vida inalcançáveis para a maioria da pessoas. As empresas e grifes descobriram isso e exploram essa forma de marketing todos os dias, com muitos filtros e edições.

Não à toa o número de casos de depressão na adolescência cresce cada vez mais. Estima-se que 1 a cada 5 jovens de 12 a 18 anos sofra com essa doença no Brasil. Os motivos para isso são muitos, mas costumam envolver bullying e pressões sociais relacionadas a fatores físicos e estéticos. 

Além disso, casos de anorexia e bulimia são tão conhecidos entre jovens que almejam a carreira de modelo. Os problemas de meninas adolescentes, pressionadas a reduzir medidas e a realizar sacrifícios enormes de saúde, já renderam muitas matérias e estudos sobre o lado obscuro da indústria da moda

Apesar de sermos um país miscigenado, ainda cultuamos padrões de cor de pele, olhos, cabelos e formas vindos do hemisfério norte. 

Recentemente, esse desejo em alcançar o padrão de beleza também levou ao surgimento de diversos aplicativos de modificação facial. Especialmente nas redes sociais populares entre os mais jovens, como o TikTok. 

Com os filtros, é possível afinar ou aumentar o nariz, remover manchas e clarear os dentes virtualmente, antes de tirar uma foto. Por mais jovens e bonitos que sejamos, eles mostram quão distantes estamos dessa beleza simétrica e perfeita, que só existe no plano das ideias (virtuais!).

Cirurgias Plásticas

No mundo real, as consequências também podem ser sentidas. O Brasil ultrapassou os Estados Unidos e se tornou o País que mais realiza cirurgias plásticas no mundo.

De acordo com os dados da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), em 2018, foram registradas mais de 1 milhão 498 mil cirurgias plásticas estéticas em nosso país, além de mais de 969 mil procedimentos estéticos não-cirúrgicos. 

Isso sem falar das cirurgias e procedimentos não-estéticos realizados de forma clandestina, com graves riscos à saúde dos pacientes e que já deixaram muitas pessoas com sequelas. 

Entre as intervenções mais procuradas, estão:

  1. Aumento mamário com prótese de silicone.
  2. Lipoaspiração.
  3. Abdominoplastia.
  4. Plástica das pálpebras (blefaroplastia).
  5. Suspensão das mamas (mastopexia).
  6. Redução mamária. 
  7. Plástica do nariz (rinoplastia).
  8. Cirurgia do rejuvenescimento da face (lifting facial).

Empoderamento: meu corpo, meu estilo.

Mas nem tudo é exploração e problemas na indústria da moda. Quando utilizada com consciência, de forma responsável, a moda é uma ferramenta incrível de empoderamento. 

Com a moda, através das roupas e acessórios que vestimos, podemos mostrar ao mundo quem somos e o que pensamos. Podemos manifestar e exibir nossa criatividade e nossas raízes.

Por isso, é preciso ter consciência de como as campanhas são realizadas e de como as empresas funcionam. É preciso entender que as redes sociais não refletem a vida no dia a dia. 

Em especial, temos que proteger os mais jovens de influências negativas e frustrações provocadas por objetivos inalcançáveis. 

Devemos exigir, para a nossa própria saúde física e mental, que as passarelas reflitam mais e melhor a diversidade de corpos, estilos e desejos que encontramos nas ruas. E, antes disso, devemos olhar para o nosso próprio guarda-roupas.


O que você veste faz bem para você?

A EMIGÊ.it valoriza e respeita as diferenças. Temos orgulho de promover a moda circular com a atividade de brechó on line, ético e consciente. Em nosso site, você encontrar peças exclusivas para montar o seu próprio estilo. 

Nossas roupas passam por um rigoroso padrão de qualidade e curadoria. A moda circular auxilia na redução dos impactos sociais e ambientais provocados pela indústria da moda convencional. 

Veja como funciona o processo de seleção e curadoria das peças de roupa da EMIGÊ.it aqui.

Por isso, doamos uma parte do nosso faturamento para a organização Fashion Revolution, que trabalha para garantir uma mudança radical na forma como nossas roupas são produzidas, adquiridas e consumidas. 

A EMIGÊ.it e a moda circular são uma resposta à indústria da moda convencional.  

Nós somos o que vestimos. O que você está vestindo valoriza e reflete quem é você?

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