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Moda circular: como chegamos até aqui?

Escrito por EMIGÊ .it

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Postado em 14 setembro 2020

 

É sabido que moda é comportamento, comunicação. Nosso vestir não define apenas uma aparência, mas muito do nosso existir. Mesmo que você esteja usando apenas uma blusinha branca e uma calça jeans, esta blusinha e esta calça dizem muito sobre suas escolhas não apenas frente ao espelho, mas na vida.


E isso é bastante simples de entender. Nossos antepassados não tinham outra escolha a não ser usar peles de animais para se protegerem de predadores e do frio. Roupa era necessidade de sobrevivência. 


Séculos se passaram e roupa virou moda. A estética se sobressai à função. E paradoxalmente, para atender a outra necessidade: a social.

Costumes e desejos

A moda reflete os costumes e os desejos das sociedades ao longo do tempo. E isso motivou grandes revoluções. A maior delas, contudo, pode estar acontecendo agora, enquanto você lê esse texto.

No século 19, Charles Frederick Worth deu início à alta-costura. Em seu atelier em Paris, a fim de saciar os desejos dos mais ricos por destaque e exclusividade, ele inverteu a ordem de produção das peças de roupas. 

Antes de Charles Frederick Worth, os alfaiates tratavam de reproduzir os modelos de acordo com as orientações dos clientes. No entanto, Worth fez o contrário: ele passou a produzir coleções sem modelos pré-estabelecidos, de acordo com o que ele entendia como as tendências da época. 

Assim, Charles Frederick Worth criou, em escala artesanal, modelos exclusivos, com enorme riqueza de detalhes e claro, preços bastante elevados. Estas criações passaram a ser disputadas e exibidas nos eventos de gala de Paris. 

As peças de Worth, frequentemente, apresentavam bordados de linha e/ou pedrarias e metais preciosos. Em uma sociedade sem castas pré-estabelecidas, elas refletiam a vontade das pessoas mais ricas de afirmarem suas posições e de se diferenciarem das demais.  

A alta-costura de Worth abriu caminho a outros criadores e ampliou o espectro da moda como vemos hoje. Estilistas, coleções sazonais, "maisons"...porém, ainda muito elitizado. 

Após a segunda guerra mundial, a moda é protagonista de outro salto. A demanda de "consumo de moda",  com mais velocidade e mais acessibilidade ( não mais restrita à elite), une a eficiência produtiva da indústria de massa à qualidade criativa da alta-costura. 

Temos, então, o nascimento do prêt-à-porter, em 1949. O Fast Fashion de hoje, nada mais é do que prêt-à-porter de 70 anos atrás, porém em escala e velocidade que tomaram proporções inimagináveis.

Fast Fashion

O fast fashion, de certa forma, democratizou o acesso à moda. Os custos, nesta modalidade, são muito menores aos da alta-costura. No entanto, com uma lógica de consumo após a produção, a moda fast fashion passou a ser sinônimo de quantidade. 

Para atender a demanda cada vez maior de consumidores ávidos por produtos de moda, grandes marcas americanas e européias deslocaram suas fábricas para os países asiáticos, como a China. A intenção é reduzir os custos com a mão de obra, em países com a legislação menos rigorosa. 

Apesar de inúmeras denúncias ao longo dos anos, foi preciso uma tragédia para que o mundo tomasse consciência do lado obscuro da indústria da moda fast fashion.  

O desabamento do Rana Plaza, em Bangladesh, no ano de 2013, totalizou 1127 mortos e foi um marco na história da moda. No local, em uma edificação precária e sem segurança, funcionavam fábricas de roupas de grifes internacionalmente conhecidas.   

Assim, a tragédia revelou ao mundo as péssimas condições de vida a que os funcionários da indústria da moda eram submetidos. Mal remunerados, com horas excessivas de trabalho contínuo, eles produziam algumas das peças mais desejadas pelos consumidores do mundo. Uma cadeia de produção baseada na exploração do trabalho.    

Danos Ambientais

Outra grande crítica à indústria da moda fast fashion trata da produção e do consumo insustentável para o planeta. Com o lançamento de coleções e produtos em grande escala e velocidade, os impactos ambientais tornam-se cada vez mais relevantes.

Já se sabe que o setor têxtil gera grande quantidade de resíduos provenientes de seus processos produtivos. Os diferentes materiais utilizados apresentam diferentes composições. Fibras naturais e sintéticas são muito comuns na indústria. Plásticos, metais, linhas e papéis também fazem parte da confecção de roupas e acessórios. 

Toda essa matéria prima exige diferentes cuidados ao longo do processo produtivo. Desde a sua origem e extração até o descarte final. E isso nem sempre acontece ou é observado como deveria, afetando diretamente a sociedade e o meio ambiente. 

De acordo com a Associação Brasileira de Indústrias Têxteis (ABIT), são produzidas, apenas no Brasil, mais de um milhão e cem mil toneladas de peças de vestuário por ano. Cerca de 12% de todo esse material é desperdiçado. 

O uso inadequado da água e da energia são dois grandes problemas. A utilização e o descarte de produtos químicos na produção de fibras e dos produtos finais são outros pontos sensíveis.

Sempre que compramos e usamos roupas confeccionadas dessa forma tradicional, passamos uma mensagem para a indústria: a de que não nos importamos com as consequências. Trata-se de uma espécie de estímulo para que mais peças sejam produzidas dessa forma.

Suas escolhas

Assim, em menos de 2 séculos, nós passamos dos cortes sofisticados da alta-costura,  ao fast fashion. Hoje, entendemos as limitações e problemas de cada um desses sistemas. Estamos sentindo como nunca o impacto socioambiental da exploração das pessoas e do planeta. 

Nesse contexto a moda artesanal, ética, baseada em uma economia circular e consciente ganha cada vez mais espaço e relevância. Com a internet e consequente democratização da informação, uma nova geração de consumidores exige uma indústria da moda mais responsável, segura, justa e transparente. 

O que nós escolhemos vestir pode revelar o nosso desconhecimento ou a relevância que damos a todos esses fatos. São as nossas escolhas, os nossos valores e os nossos compromissos sobre a nossa pele.

Moda, ética e beleza

Antigamente, comprar uma roupa nova por um preço baixo era sinal de sorte ou até  inteligência. No entanto, como vimos, não existe peça baratinha ou de graça. Alguém, na enorme cadeia de produção da moda, está trabalhando mais ou recebendo menos para isso.  

Após as inúmeras denúncias de trabalho análogo à escravidão, especialmente nos países asiáticos, não é mais possível imaginar que esse seria um bom negócio para todos.

Dessa forma, é preciso romper com esse modelo. E acredite, é possível fazer isso com muito estilo e beleza! A moda circular é prova disso.

Moda Circular

A moda circular tem como base a recuperação e reutilização de peças e acessórios com foco na sustentabilidade. Diz respeito ao ciclo de vida dos produtos, desde a concepção do design, dos materiais utilizados ao transporte para o consumidor. Este, no entanto, já não é mais visto como o “consumidor final”.

Pode parecer estranho, mas a moda circular já faz parte das nossas vidas. Ela é algo que antigamente ficava restrito às famílias, quando um irmão herdava as roupas do outro. Hoje, no entanto, com as ferramentas de comunicação e compartilhamento, não existem mais fronteiras.

A moda circular substitui o conceito de fim de vida dos produtos de moda, típico da economia linear. Ela tem como inspiração os próprios ciclos da natureza. Na moda circular, os recursos são pensados a longo prazo, em um processo contínuo de transformação e reutilização.

E essa é uma mensagem muito poderosa para se vestir!

Organização Econômica

A moda circular também promove um novo modelo de economia. Nela, a cadeia de produção é valorizada em todos os seus aspectos. Não basta apenas continuar produzindo roupas e acessórios ao estilo fast fashion e compartilhá-los. É preciso pensar, modificar e integrar a cadeia produtiva como um todo.

Assim, em vez de peças vindas de longe, é privilegiada a produção local. Em vez das dúvidas quanto ao uso dos recursos naturais e da mão de obra, valoriza-se quem realmente respeita os trabalhadores e o planeta.

A moda circular também oferece um novo destino às peças oriundas do sistema linear tradicional Fast Fashion. A reutilização e a customização dessas peças pode fazer com que elas durem muitos mais anos. Contudo, alguns pontos de destaque junto à economia circular são:

  • A produção artesanal.
  • O consumo consciente.
  • A compra de pequenos fabricantes locais.
  • A redução nos custos de transporte.
  • A economia afetiva (conhecer quem produz).
  • O pensamento integrado (em rede).
  • O design atemporal (maior durabilidade).
  • O respeito aos trabalhadores e à produção.
  • A preservação dos recursos naturais e do meio ambiente.

Com qual mensagem você vai se vestir hoje?

Assim, quando usamos uma peça de roupa, não estamos apenas atendendo a uma necessidade básica, como antigamente. Na era da informação, o que vestimos diz muito sobre como enxergamos e reagimos aos problemas que nos cercam. Sobre quais são os nossos valores.

A moda circular, através da coordenação dos sistemas de produção e consumo em circuitos fechados, é uma resposta à exploração socioeconômica da indústria. Ela tem foco na gestão dos recursos limitados e na valorização da cadeia produtiva. 

Para isso, é necessário redesenhar a nossa própria forma de consumir moda. Quem sabe, até mesmo olharmos um pouquinho para trás, para a maneira como a maioria das famílias geriam os recursos antigamente: de forma eficiente, com poucos gastos e muitos benefícios.

Temos hoje uma enorme quantidade de ferramentas tecnológicas que nos ajudam nesse desafio. Podemos localizar peças únicas, esquecidas, e compartilhá-las com o mundo. Com criatividade e comprometimento, evitamos o desperdício e construímos um mundo mais justo para todos os envolvidos na indústria da moda.

Essa é a mensagem que vestimos aqui na EMIGÊ. 

Junte-se nós e faça a diferença com muito estilo!  

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