Meu carrinho

Fechar

A indústria fast fashion e os seus impactos econômicos e sociais

Escrito por Maria Gedeon

• 

Postado em 01 março 2021

Já se foi o tempo em que as pessoas compravam uma peça de roupa e usavam por anos.

Em um mundo com uma demanda cada vez maior em relação ao vestuário, os consumidores querem roupas novas, após utilizar as que já possuem apenas algumas vezes.

Modelos de negócios mais comuns são criados a partir do conceito da “moda rápida” ou Fast Fashion, oferecendo roupas mais baratas em ciclos mais rápidos. 

Esse modelo horizontal de compra, uso e descarte rápido tem um impacto negativo sobre as pessoas e os recursos do planeta.

Mas afinal, o que é  Fast Fashion?

O termo Fast Fashion se refere a um modelo de criação, distribuição e venda de peças de vestuário baseado no consumo rápido e ecologicamente incorreto. De acordo com o site UMODE, as marcas europeias Zara, H&M e Topshop foram responsáveis pelo surgimento do termo em meados da década de 1990. Essas empresas produziam roupas parecidas com as da alta costura, mas por um preço bem mais acessível. 

Este modelo de vendas é pensado para suprir rapidamente uma demanda por roupas e acessórios dentro de uma constante troca de coleções, focando em baixo preço e baixa qualidade.

Um dos segredos da Fast Fashion é a falsa sensação de exclusividade e escassez.

Embora sejam criadas em grande escala, as peças são divididas mundialmente em lotes distintos, criando uma equivocada ideia de originalidade.

O resultado é que o consumidor é levado a comprar sempre mais, seja pelo baixo investimento financeiro, assim como pela baixa qualidade das peças ainda ou pelo intenso volume de divulgação das marcas, que promovem sempre novas propostas criativas. 

Impactos econômicos da indústria fast fashion

Uma pesquisa sobre o consumo na indústria fashion, revelou que houve um aumento de 400% nos últimos 20 anos, crescimento causado pelo mercado Fast Fashion. Os preços baixos com certeza têm um peso grande quando o assunto é o aumento do consumo, mas o que o consumidor muitas vezes não sabe como é o processo de fabricação dessas peças, para que os valores sejam tão reduzidos.

Segundo uma pesquisa realizada pela Unicamp em 2018, no Brasil são produzidas cerca de 170 mil toneladas de resíduos de tecidos todos os anos e muito desse material é inutilizável. Os pesquisadores identificaram mais de 32 mil indústrias que fazem parte do segmento têxtil, porém apenas 21 faziam reciclagem de tecidos, sendo 5 em São Paulo.

Outros dados mundiais que precisamos chamar atenção são:

  • 1 caminhão de lixo carregado de roupas é queimado ou enviado para aterros a cada segundo;
  • Nos Estados Unidos, cada cidadão joga fora em média 32 quilos de roupas por ano;
  • São gastos 70 milhões de barris de petróleo por ano para produzir a fibra de poliéster, a mais utilizada na indústria de vestuário;
  • O poliéster demora cerca de 200 anos para se decompor no meio ambiente;
  • Uma peça de Fast Fashion dura em média apenas cinco lavagens e não mais que 35 dias;
  • O cultivo de algodão é um dos maiores consumidores de pesticidas no mundo, utilizando cerca de 24% dos inseticidas e 11% de todos os pesticidas do planeta.
Além do alto impacto ambiental e econômico, a produção de peças de Fast Fashion colabora em diversos países com o trabalho infantil e escravo, causando grande impacto social.

Impactos sociais da indústria Fast Fashion 

A fabricação de roupas ajudou a estimular o crescimento das economias em desenvolvimento, mas uma análise mais detalhada mostra uma série de desafios sociais. 

Por exemplo:

  • De acordo com a ONG Remake, 75 milhões de pessoas trabalham produzindo roupas;
  • Ainda de acordo com a ONG Remake, 80% da produção vem de mulheres jovens entre 18 e 24 anos;
  • Trabalhadores do setor vestuário em Bangladesh, principalmente mulheres, ganham 3,5 vezes abaixo de um salário mínimo. 
  • Um relatório do Departamento de Trabalho dos Estados Unidos comprovou a existência de trabalho infantil e de trabalhos forçados na indústria da moda na Argentina, Bangladesh, Brasil, China, Índia, Indonésia, Filipinas, Turquia e Vietnã, entre outros países. 

Então quais as soluções para esses desafios?


Como seria uma indústria têxtil mais sustentável e o que precisamos fazer para chegar lá? Estamos começando a ver alguns sinais de uma indústria em transição e de comportamentos de consumo mais conscientes.

Assim como a
Netflix reinventou a maneira como alugamos filmes e a Uber transformou o transporte, vemos a Moda Circular ganhar cada vez mais espaço num processo de transformação de como consumimos roupas

A
moda circular tem como base a recuperação e reutilização de roupas e acessórios, reduzindo a necessidade de produção de novas peças e todas as consequências prejudiciais à economia e às pessoas como vimos até aqui. Desta forma, é uma moda sustentável e inspiradora.

Na
moda circular, não existe um consumidor final. Uma produção que pensa sob a ótica da moda circular e sustentável, preza pelo design e pelos materiais utilizados para que as peças durem muito mais do que no sistema Fast Fashion

Logo, a moda circular,  representada pela atividade de brechó e bazar, substitui o conceito de fim de vida dos produtos de moda, típico da economia linear. 

Outro ponto de destaque sobre a moda circular é a inspiração nos ciclos da natureza. Nela, os recursos são pensados a longo prazo, em um processo contínuo de transformação e reutilização.

Por fim, defende o consumo consciente, o pensamento integrado (em rede), o design atemporal (maior durabilidade) e a preservação dos recursos naturais, econômicos, sociais e do meio ambiente.

A EMIGÊ.it tem orgulho de promover a moda circular com o brechó online, ético e consciente

Por isso, doamos uma parte do nosso faturamento para a organização Fashion Revolution, que trabalha para garantir uma mudança radical na forma como nossas roupas são produzidas, adquiridas e consumidas. 

Sempre que você compra uma roupa ou acessório conosco, você evita que peças em ótima qualidade sejam jogadas fora.

Além de adquirir produtos únicos, exclusivos, selecionados por designers e de ótima qualidade, você economiza seus recursos e os recursos ambientais.

Veja como funciona o processo de seleção e curadoria das peças de roupa da EMIGÊ.it aqui.

A EMIGÊ.it e a moda circular são uma resposta à exploração ambiental, econômica e social da indústria da moda convencional.  

Nós somos o que vestimos. O que você está vestindo para o planeta?

Fonte: WRI Brasil, Mercado1M.

comentários

0 comentários

Deixe um comentário
×
Bem Vinda =)