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Por que é importante saber quem fez minhas roupas?

Escrito por Maria Gedeon

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Postado em 13 julho 2021

Você já se perguntou de onde vem suas roupas? Quem fez isso? Onde foi fabricado?

Tem um grupo de pessoas engajadas e comprometidas com a moda sustentável que se perguntou e a gente quer te contar porquê é tão importante levantar esses questionamentos.

Tudo começou quando um conselho global de profissionais da moda se sensibilizou com o desabamento de um  edifício de oito andares chamado Rana Plaza em Bangladesh, que causou a morte de 1.134 trabalhadores da indústria de confecção e deixou mais de 2.500 feridos.

A tragédia aconteceu no dia 24 de abril de 2013 e as vítimas trabalhavam para marcas globais, em condições precárias e análogas à escravidão e se tornou o marco de uma luta travada para evitar e combater os abusos e explorações dentro da indústria da moda.

É com essa dor que nasce o movimento Fashion Revolution, que tem como base uma pergunta poderosa: Quem fez minhas roupas? Uma campanha que surgiu para aumentar a conscientização sobre o verdadeiro custo da moda e seu impacto no mundo, em todas as fases do processo de produção e consumo.

São perguntas simples, mas importantes, como essa, que podem mudar os rumos da história de marcas e principalmente de pessoas, como aconteceu com a empresa Nike na década de 90.

Caso Nike


Imagem: Twitter

Antes da tragédia em Bangladesh, outras denúncias rodaram o mundo causando choque e indignação, como a foto do menino paquistanês costurando uma bola de futebol da Nike em 1996 nas páginas da extinta revista Life.

No mesmo ano, o documentarista norte-americano Michael Moore filmou uma conversa com o presidente da multinacional, Phil Knight, para o documentário The Big One. “Você não tem problema de consciência? Sabe como vivem seus empregados na Indonésia?, questionou. 

O filme foi exibido em 1998, quando as condições degradantes de trabalhadores da companhia em países da Ásia já eram conhecidas e a marca Nike já estava manchada pelo estigma de exploração.

No mesmo ano, ativistas dos direitos humanos aproveitaram o Mundial da França para denunciar o trabalho de crianças na produção de bolas e chuteiras. Com a ajuda da internet, consumidores de todo o mundo boicotaram produtos da marca, derrubaram executivos e ações nas bolsas.

Por muitos anos, a empresa de artigos esportivos, que já foi a maior do mundo, ficou estigmatizada pelo escândalo do trabalho infantil. Há anos a Nike vem lutando para desconstruir a imagem de empresa associada ao trabalho escravo e vem investindo bastante em questões ambientais.

Sem alarde, a Nike abriu centros de treinamento no Vietnã e no Sri Lanka para capacitar trabalhadores das plantas terceirizadas. Passou a monitorar mais atentamente não apenas a qualidade de seus produtos, mas também as condições de trabalho e salários melhores.

Em 2020, após a publicação de um estudo do instituto de políticas estratégicas australiano (ASPI) sobre os “trabalhos forçados” na região, a companhia se posicionou contra as atitudes da China em Xinjiang.

O caso Nike é emblemático no mundo quando se trata de demonstração de força do consumidor. E esse é só um exemplo de como as perguntas certas podem transformar o mundo.

Quem fez minhas roupas?

Das 150 bilhões de peças produzidas no mundo, muitas são feitas de maneira forçada. O trabalho análogo ao escravo, também chamado de escravidão contemporânea, ainda é recorrente na indústria da moda e assola todo o planeta.

No Brasil, políticas públicas de fiscalização e combate ocorrem desde 1995, mas foi em 2003 que o país firmou uma série de compromissos perante entidades internacionais de Direitos Humanos e tipificou de forma mais clara esse tipo de crime. 

Ações de fiscalização dentro de centros urbanos aconteciam com bem menos frequência que nos dias atuais, por isso, o primeiro resgate de um trabalhador no âmbito da moda, numa oficina de costura, ocorreu oficialmente apenas em 2010. Como podemos ver, é tudo muito recente e urgente.

Dados do Índice de Transparência da Moda Brasil, indica que, das 40 grandes marcas e varejistas nacionais analisados em 2020, apenas 21% publica sobre seus processos e cadeia produtiva. Ainda é muito pouco e precisamos melhorar esses números.

Falta transparência e políticas públicas específicas para haver responsabilização da iniciativa privada no que tange o trabalho análogo à escravidão, por isso é muito importante que cidadãos e consumidores façam a sua parte questionando e se mantendo atentos ao que consomem.

Instituto Fashion Revolution - uma iniciativa necessária

O Instituto Fashion Revolution, uma iniciativa sem fins lucrativos, desenvolve debates e desperta engajamentos da sociedade na busca por uma moda mais justa, digna e transparente. Os projetos são divididos entre digitais e presenciais e já conquistaram algumas vitórias desde a sua criação em 2014.

Mais de 1.300 fábricas foram inspecionadas em Bangladesh e mais de 2,5 milhões de pessoas ao redor do mundo já se perguntaram “quem fez minhas roupas?” 

Em 2021, após oito anos da tragédia em Bangladesh, a Fashion Revolution Week se concentrou na interconexão dos direitos humanos e dos direitos da natureza. A campanha visou amplificar vozes nunca ouvidas em toda a cadeia  de suprimentos da moda e aproveitou a criatividade da comunidade para explorar soluções inovadoras e interconectadas.

EMIGÊ.it - a revolução passa por nós

Nós, da EMIGÊ.it acreditamos e investimos nessa revolução e nos questionamos todos os dias sobre “quem fez minhas roupas”, nós entendemos que essa revolução passa pelos brechós e bazares e também por nossas escolhas diárias. 

Acreditamos na moda circular como forma de fazer a revolução no mundo, para além disso, temos orgulho de apoiar esforços de moda sustentável, por isso, doamos uma parte do nosso faturamento para o Instituto Fashion Revolution.

Juntos podemos mostrar ao mundo que a mudança é possível. A conscientização é o primeiro passo para que transformações sejam concretizadas e tudo pode começar com uma simples pergunta: quem fez minhas roupas?

Essa é a mensagem que queremos propagar por aqui.

Nós somos o que vestimos. O que você está vestindo para o planeta? 

Fontes: Rede Brasil Atual, Elle

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