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Por dentro da Semana Fashion Revolution 2021

Escrito por Maria Gedeon

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Postado em 10 maio 2021

“A revolução será cooperativista, agroflorestal, regenerativa, feminista e periférica.”

Foi com essa frase que a diretora executiva da Fashion Revolution Brasil, Fernanda Simon, abriu a Semana Fashion Revolution.

Já é o sétimo ano do evento no Brasil e o segundo consecutivo 100% online. A Semana Fashion Revolution gira em torno do aniversário do colapso da fábrica Rana Plaza, que matou 1.138 pessoas e feriu muitas outras que estavam costurando roupas, em 24 de abril de 2013 em Bangladesh.

Este ano, enquanto completa 8 anos desde a tragédia, a Fashion Revolution Week se concentrou na interconexão dos direitos humanos e dos direitos da natureza. A campanha visou amplificar vozes nunca ouvidas em toda a cadeia de suprimentos da moda e aproveitou a criatividade da comunidade para explorar soluções inovadoras e interconectadas.

Direitos, Relacionamentos e Revolução

Alinhados com os temas Direitos, Relacionamentos e Revolução, a Semana Fashion Revolution 2021 iniciou com uma conversa entre ativistas que trabalham em prol de mudanças sistêmicas e consideram a moda uma potente ferramenta.

Os organizadores afirmam: se o meio ambiente não estiver saudável, nós também não estaremos. Por isso, pensar em direitos, relacionamentos e revolução sistêmica, foi o caminho escolhido a ser trilhado.

Direitos: Trabalhadores e trabalhadoras da moda ainda não têm seus direitos fundamentais garantidos, e com cada vez mais trabalhos informais e terceirizados, suas condições tornam-se mais precárias e fragmentadas.

Além disso, a natureza é vista como uma mercadoria negociada em fragmentos em mercados financeiros, e não como um núcleo vivo dotado de direitos e dinâmicas particulares e intransferíveis. No Brasil, entre 2016 e 2018, a cada cinco trabalhadores resgatados em situação análoga à escravidão, quatro eram negros (Repórter Brasil via SIT).

A natureza tem seus próprios direitos. Os Direitos da Natureza precisam ser reconhecidos e os Direitos Humanos garantidos para todos.

Relacionamentos: a forma como nos relacionamos com a Natureza, com as pessoas e com nós mesmos, ainda é fragilizada e marcada por problemas que a moda ajuda a sustentar, como falta de empatia, exploração e padrões.

Somos afastados dos processos e pouco nos relacionamos ou conhecemos quem faz nossas roupas todos os dias. O Brasil é o quarto maior produtor de roupas do mundo, gerando 8 milhões de empregos diretos e indiretos - 75% da mão de obra é composta por mulheres (ABIT - Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção).

Vamos perguntar “Quem fez minhas roupas” na perspectiva de gênero e raça, compreender que os impactos da Natureza afetam a saúde humana, caminhar no sentido do resgate de ancestralidade e perceber o colonialismo estruturante dos nossos  relacionamentos.

Revolução: compreender que a moda precisa de mudanças profundas e sistêmicas é crucial se queremos, de fato, transformá-la. Em média um CEO da indústria da moda recebe em 4 dias de trabalho o mesmo valor que uma trabalhadora em Bangladeesh recebe durante a vida inteira (OXFAM - Comitê de Oxford para Alívio da Fome).

Precisamos de mudanças radicais para problemas radicais e isso requer uma revolução em nossa forma de pensar, consumir e produzir. Várias revoluções que representaram a locomotiva da história foram protagonizadas por trabalhadoras da indústria têxtil e da moda - e precisamos resgatar o protagonismo da classe trabalhadora.

O modelo econômico vigente é baseado em uma lógica linear de superprodução, consumismo e descarte. Precisamos reconhecer e fomentar alternativas e outros modelos econômicos.

Fonte: Blog Fashion Revolution

A Semana Fashion Revolution ainda contou com debates com temas como “Moda e Racismo” e “Como ser um revolucionário da moda”, lançamento de livro, exposição de cultura de moda e transmissão de filmes. Ao todo foram mais de 200 eventos por todo o Brasil. As lives podem ser assistidas no canal do Youtube da Fashion Revolution Brasil.

Esse ano, em se tratando de um momento pandêmico, a centralidade do debate foi a vida. A fala da convidada Nelsa Fabian, diretora-presidente da Central de Cooperativas Justa Trama, ou apenas Justa Trama, na abertura da Semana Fashion Revolution, traduz bem isso: 

“Nos outros anos a gente sempre ficava muito impactado, na verdade ainda ficamos, imagina mil mulheres, em sua maioria mulheres, mortas pelas péssimas condições de trabalho; quem imaginava que agora, 8 anos depois, estaríamos com esse número de mortes por dia, multiplicado por três ou quatro vezes por essa indiferença que o governo tem, por indiferença à vida”.

Quando o Fashion Revolution questiona “Quem fez a minha roupa”, está questionando muito mais que uma cadeia produtiva, está questionando nossos hábitos, nossa participação enquanto sociedade na tomada de decisão do consumo de moda

Será que levamos em consideração todo o processo de produção de uma peça ou o quanto de agrotóxico é usado no algodão que compõe a nossa roupa?

A revolução passa por nós

Tudo começa no diálogo, no debate, mas, mais que debater, precisamos agir, afinal, a revolução passa por todos nós. Nossas mudanças de hábitos podem desencadear diversas mudanças de processos. 

Queremos um mundo desenvolvido com sustentabilidade, responsabilidade e respeito a algo que apenas nos é emprestado: o planeta terra.

Nós, da EMIGÊ.it acreditamos e investimos nessa revolução e entendemos que ela passa pelos brechós e bazares, que passa por nossas escolhas diárias. Acreditamos na moda circular e sustentável como forma de fazer a revolução no mundo. 

Essa é a mensagem que queremos propagar por aqui.

Nós somos o que vestimos. O que você está vestindo para o planeta?

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