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Forum Fashion Revolution: refletir é preciso, agir é urgente!

Escrito por EMIGÊ .it

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Postado em 19 outubro 2020

"A moda deve ser usada como uma força para o bem. Esta é a revolução que pretendemos fomentar"

Semana passada aconteceu a terceira edição do Fórum Fashion Revolution - iniciativa que promove a discussão sobre os desafios e oportunidades da indústria da moda brasileira para que ela se torne mais justa, limpa, segura e responsável. Encorajando o estudo aprofundado dos impactos dos negócios de moda na qualidade de vida das pessoas e do planeta.

A edição deste ano foi realizada totalmente on line, nos dias 14 a 17 de outubro, com a participação de pesquisadores, acadêmicos, organizações e profissionais do mercado que submeteram trabalhos sobre inovação e sustentabilidade na moda. 

Foram mais de 70 ensaios teóricos e 27 ilustrações, que podem ser conferidos no ebook Forum Fashion Revolution 2020. Em quatro dias de evento, foram apresentados 24 trabalhos selecionados, além de rodas de conversa com profissionais da indústria da moda.

A moda vive para expressar

A seguir, compartilhamos com você um pouco sobre o que foi apresentado no fórum, pois além de oferecer moda de brechó de qualidade, queremos difundir iniciativas que visam construir um futuro melhor para a moda. Afinal, "a moda vive para expressar, encantar, refletir, protestar (...) A moda celebra a vida" (manifesto Fashion Revolution)

Neste ano, o evento apontou quatro temas essenciais para a indústria: 

  • composição
  • condições de trabalho
  • consumo
  • ações coletivas. 
  • Tais temáticas serviram como eixos para guiar os trabalhos submetidos no Fórum e aprofundar os debates e reflexões propostos pelo movimento Fashion Revolution
  • O fim da exploração humana e ambiental na indústria global da moda
  • Condições de trabalho seguras e dignas e salários dignos para todas as pessoas na cadeia de abastecimento
  • Maior equilíbrio de poder entre todos os setores da indústria da moda global 
  • Um movimento trabalhista maior e mais forte na indústria da moda global
  • Uma indústria da moda global que trabalha para conservar recursos preciosos e regenerar ecossistemas
  • Uma cultura de transparência e responsabilidade em toda a cadeia de valor
  • O fim da cultura descartável e a mudança para um sistema onde os materiais são usados ​​por muito mais tempo e nada vai para o lixo
  • Herança, artesanato e sabedorias locais são reconhecidas e valorizadas

São debates que se mostram mais importantes do que nunca nesse momento de desafios desencadeados pela pandemia. Por isso, os trabalhos apresentados no espaço de discussão do Fórum têm papel fundamental para levantar novos questionamentos e contribuir com soluções para uma indústria da moda mais consciente, justa e sustentável.

Os trabalhos apresentados exploraram questões voltadas para arte e inclusão social; papel social do ensino de moda; fast fashion e neoliberalismo; brechó e upcycling; moda e tecnologia; economia circular e indústria 4.0, entre outros.

Dia 1: Ações Coletivas

No primeiro dia o tema foram as Ações Coletivas, com a apresentação de trabalhos como:

Arte e inclusão social - caminhos para a cidadania; Estética queer - entre o apagamento e o empoderamento; Papel social do ensino de moda - reflexões para uma educação sensível;

Governança ambiental local e o setor de couro e calçados. 

Um dos diversos trabalhos que permearam o debate acerca das Ações Coletivas na moda, aponta "os brechós como aliados da indústria da moda para um desenvolvimento sustentável".  

A afirmação acima dá título ao trabalho de Clarice Fernandes Santos, que escreve: "os brechós são alternativas sustentáveis disponíveis para a indústria da moda, uma vez que prolongam o ciclo de vida de um produto e, consequentemente, auxiliam na redução dos resíduos têxteis. Pode-se dizer que o produto “mais sustentável” é aquele que já existe, uma vez que já se gastou recursos naturais para sua produção".

Ao final do artigo, a autora chama atenção para a importância de se fomentar a ideia da economia circular dentro das faculdades de moda:  "é o primeiro passo para um futuro sustentável, sendo que 'os novos' erguerão pilares e ditarão os caminhos do futuro. A verdadeira inovação da indústria fashion sem dúvidas está em soluções sustentáveis, criativas e tecnológicas, mas, principalmente, em uma mudança radical de mentalidade dos designers, enquanto profissionais e consumidores."

Dia 2: Consumo

O segundo dia do fórum abordou questões acerca do Consumo. Reflexões sobre a cadeia da moda e uma nova racionalidade de consumo; pesquisa de tendências de moda e colonialismo e eurocentrismo; moda e representatividade e as dinâmicas de consumo contemporâneas. 

Novamente, a atividade de brechó aparece como tema central de um dos trabalhos apresentados como "Alternativa ao descarte prematuro de produtos da moda", artigo de Caroline Cristina Borges de Morais e Gabriel Coutinho Calvi. 

No estudo, os autores abordam a necessidade de repensar o pós-consumo e analisam a prática de comércio em brechós de moda. Eles escrevem:

"É importante acompanhar o produto além de seu projeto inicial de produção e comércio. É preciso pensar adiante, nas práticas do pós-consumo e em como isso afeta o meio ambiente e a sociedade. Os brechós de moda surgem, então, como uma alternativa consciente ao descarte prematuro de peças de vestuário".

E ainda: "Nas últimas décadas, principalmente com o enorme acesso à informação e a abordagem da importância da conscientização do pós-consumo, o tabu acerca dos brechós de moda vem se desconstruindo e ganhando adeptos, independente de razões financeiras ou não." 

Dia 3: Condições de Trabalho e Composição

No terceiro dia, as discussões abordaram as Condições de Trabalho e Composição. Foram  apresentados artigos sobre Fast fashion e Fashion law; Trabalho escravo contemporâneo na indústria têxtil; Upcycling, entre outros.

No que diz respeito ao tema Composição, chama atenção os muitos trabalhos sobre Upcycling. "Numa indústria de fast fashion insustentável, o upcycling não pode ser visto apenas como tendência, mas como uma nova forma de produção e consumo (...) uma evolução benéfica, mas que ainda enfrenta muitos desafios diante da economia linear que predomina hoje", escrevem as autoras de um dos artigos, Ana Caroline Raupp e Flávia Dummer de Azambuja.

Em outro ensaio, Débora Karyne da Silva Abrantes e Sandra Maria Araújo de Souza afirmam "Torna-se cada vez mais importante o desenvolvimento de alternativas a fim de minimizar os efeitos negativos dessa produção, dentre elas destaca-se o upcycling com a reinserção dos resíduos na cadeia produtiva", afirmam as autoras. 

O tema Condições de Trabalho sempre evoca revolta e traz reflexões tristes sobre uma realidade velada que envolve a indústria da moda global. 

Vale lembrar que o movimento Fashion Revolution foi criado após um conselho global de profissionais da moda se sensibilizar com o desabamento do edifício Rana Plaza em Bangladesh, que causou a morte de 1.134 trabalhadores da indústria de confecção e deixou mais de 2.500 feridos. A tragédia aconteceu no dia 24 de abril de 2013, e as vítimas  trabalhavam para marcas globais, em condições análogas à escravidão.

No Forum Fashion Revolution 2020, os trabalhos pedem maior conscientização, fiscalização e legislações efetivas.

"A Declaração Internacional dos Direitos Humanos foi apenas o começo. Temos leis e meios para dar aos trabalhos condições dignas a todos, porém devido à complexidade da indústria da moda, ainda buscamos o caminho para a transparência e melhorias em relação às condições de trabalho em toda sua cadeia de fornecimento", afirma Mayra Collino Rodrigues dos Santos, autora de um dos trabalhos.

Dia 4: Consumo

Por fim, o último dia do Fórum Fashion Revolution 2020 trouxe novamente a discussão sobre consumo, com apresentações de trabalho sobre Conceitos de economia circular; Papel da indústria 4.0 na indústria produtiva e de consumo da moda.

A indústria 4.0 se refere ao conjunto de mudanças em processos de manufatura, desenvolvimento e sistemas produtivos através da fusão entre os ambientes físicos e virtuais, por meio do desenvolvimento, incorporação e aplicação de tecnologias recentes com impacto na economia e na sociedade. 

Sabido isso, destacamos um dos trabalhos apresentados sobre o tema, de autoria de Laís Cordeiro de Ávila: O Papel da Indústria 4.0 na Indústria Produtiva e de Consumo de Moda - uma análise a partir da Indústria Têxtil.

Lais escreve: "A possibilidade de atrelar novas ferramentas, tecnologias e conhecimentos aos métodos produtivos e de consumo abre caminhos para o novo: novos métodos de produção, de consumo, de cuidar do planeta, de incluir pessoas e de não agir de maneira irresponsável com a vida, tanto a nossa como a alheia. A indústria 4.0 possui grande potencial de transformação e aliada à moda, uma arte de expressar pluralidades, é capaz de imprimir qualidade, identidade e responsabilidade."

Há muito para saber

Se você gostou do assunto e quer saber mais, as apresentações do Forum Fashion Revolution estão disponíveis no YouTube e todos os trabalhos selecionados foram compilados em um ebook para download gratuito. Os ensaios são reflexivos e há muito o que explorar. Aqui, trouxemos apenas um aperitivo para provocar um olhar diferente para a moda, mais reflexivo e participativo. Lembre: suas escolhas podem mudar o mundo!

“O Fórum Fashion Revolution 2020 chega como um sopro de esperança. É um ecossistema que se espalha por mais e mais lugares ao redor do Brasil, nos fazendo acreditar que a moda pode sim trazer a promessa de futuros melhores para as pessoas e planeta. (Eloisa Artuso, membro do comitê organizador do FFR)

Sobre o Fashion Revolution

O Fórum Fashion Revolution foi idealizado em 2018 pela equipe educacional do Instituto Fashion Revolution Brasil, como a primeira plataforma do Brasil criada exclusivamente para fomentar a pesquisa e o desenvolvimento sustentável na indústria da moda

O evento é realizado anualmente com o apoio de instituições de ensino, comprometendo-se em ajudar a difundir os trabalhos apresentados que demonstrarem uma pesquisa consistente.

O Fórum Fashion Revolution é desenvolvido pelo Instituto Fashion Revolution Brasil.

O Fashion Revolution é o maior movimento de ativismo da moda do mundo, fundado no Reino Unido e presente em 14 países: Brasil, Croácia, República Tcheca, Dinamarca, França, Alemanha, Itália, Luxemburgo, Malásia, Filipinas, Portugal, Eslováquia, Espanha, Suíça. O Instituto busca maior transparência por meio de pesquisas investigativas, conteúdo informativo inspirador e eventos criativos para promover mudanças positivas.

Nós doamos parte do nosso faturamento para a organização Fashion Revolution, que trabalha para garantir uma mudança radical na forma como nossas roupas são produzidas, adquiridas e consumidas. 

Você também pode doar através do site. Ou ainda, colaborar assinando o manifesto Fashion Revolution.

A EMIGÊ.it é uma resposta à indústria da moda convencional e uma alternativa de brechó on line consciente.

Nós somos o que vestimos. Que mudança você está vestindo para o planeta?

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